domingo, 7 de fevereiro de 2010

Bali - Ilha da Magia













Acordo com a luz do sol que entra pela janela do meu quarto logo às sete da manhã, transformando-o numa estufa. Abro os olhos e dou conta que muita coisa havia mudado desde as últimas horas. Mesmo com o ventilador de tecto na velocidade máxima, sinto muito calor. Abro as portas do quarto e olho à minha volta. Sim, estou em Bali, uma ilha da Indonésia e por sinal um destino turístico bastante popular. É então diante deste “novo mundo” que começo o meu dia. Desço as escadas da hospedagem e saio à rua. Bem, nesta rua paira uma perfeita confusão: por ela passam táxis, camiões, cachorros, galinhas e muitas pessoas, tanto habitantes da ilha, como turistas, portanto não me sinto como se fosse a única estranha do local. Além disso, adoro o facto de os balineses serem tão simpáticos e amáveis comigo, bem como o são com todos os outros estrangeiros. Seguindo por esta rua fora, venho a descobrir outras características das pessoas de Bali, assim como o que faz da cultura balinesa tão cativante e especial.

Passo por uma senhora que me sorri e pergunta:
- Onde é que vai?
«Onde é que vou?» boa pergunta! Bem, aqui, o meu verdadeiro destino é conhecer a cultura balinesa (que ainda é um mistério para mim). Mas, se a mulher me fez esta pergunta, certamente estará à espera de uma resposta concreta.
- Vou visitar um amigo - É a resposta mais concreta que consigo arranjar.
- De onde vens? - É a segunda pergunta que me faz e torna-se um pouco embaraçoso, uma pessoa que me é estranha questionar-me assim tanto.
- De Portugal - respondo com um sorriso.

Mais tarde venho a saber que os balineses fazem-no com frequência aos visitantes, apenas para tentarem obter uma orientação sobre a nossa pessoa e também, para que nos sintamos mais seguros e confortáveis na ilha.

Continuando a caminhada, reparo nos rapazes e raparigas da minha idade ao sorrirem, que os seus dentes caninos ou incisivos estão limados até ao ponto de ficarem planos. Estética. Uma questão de estética. Não o posso censurar, já que a melhor coisa que se pode ser em Bali é “alus”, ou seja, embelezado. Cá, a beleza é um valor de bastante importância e as crianças já são ensinadas a pensar assim: a confiar no poder da beleza. Ao entrar num café, noto que o pessoal balinês começa automaticamente a adorar-nos e cumprimentar-nos (a nós visitantes) pela nossa BELEZA de turistas, assim que transpomos a porta de entrada. Acho a situação engraçada, mas muito diferente do que aquilo que estou habituada!

Tão diferentes formas de viver e pensar das nossas que, por vezes, só damos conta disso quando estamos lá, do outro lado do mundo.
Para um habitante de Bali, uma forma de vida é tentar arrancar o máximo de dinheiro possível aos visitantes, até mesmo se estes forem amigos. Se virem uma oportunidade, vão querer aproveitá-la tirando tudo o que puderem antes que o seu “benfeitor” se vá embora (não admira que aconteça, sendo um povo tão pobre). Se um turista não tem cuidado, acaba por ser explorado como um louco!

Mais à frente, encontro uma velha casa rodeada pela natureza e cercada por um alto muro em pedra. Pela placa que está pendurada na porta, suponho que seja a casa de um curandeiro. Os curandeiros são pessoas com o dom de curar doenças quer psicológicas, quer físicas, mas especialmente aquelas relacionadas com espíritos maus. Apesar de não terem cursos de habilitação, possuem vastos conhecimentos sobre saúde e têm também uma ligação espiritual/religiosa muito forte. Aliás, a cultura balinesa diferencia-se da do restante país pela sua marca nos rituais religiosos hindus e nas cerimónias que apaziguam os espíritos. Para além disso, existe uma série de meditações praticadas por curandeiros e outros balineses, com o objectivo de se encontrar felicidade e paz interior. Uma delas é a Meditação dos Quatro Irmãos. Esta deixa-me particularmente curiosa (é uma daquelas coisas da cultura balinesa que me fazem pensar no quão vantajoso seria partilhá-las com outras culturas). Os balineses acreditam que cada um de nós é acompanhado à nascença por quatro irmãos invisíveis, que vêm ao mundo connosco e nos protegem ao longo das nossas vidas. Estes quatros irmãos habitam as quatro virtudes que, segundo os balineses, uma pessoa precisa para ter uma vida segura e feliz: a inteligência, a amizade, a força e a poesia.

E no meio de tudo isto onde está a importância da família? Bem, a unidade familiar balinesa é a origem da força, da segurança financeira, dos cuidados de saúde, da educação e - o mais importante para os balineses – da ligação espiritual! Em Bali é horrível acabar um casamento e, por isso, as mulheres não são bem vistas quando divorciadas.

Observo não de muito longe, os vários grupos de pessoas balinesas que conversam umas com as outras ou até com os turistas. Pelas conversas, parecem muito orgulhosas em ser balinesas, afirmando-se descendentes de um rei, de um sacerdote ou artista. Não tenho dúvidas de que descendam de artistas, pois em cada rua, em cada esquina, há uma estátua ou escultura, todas elas muito bonitas e bem trabalhadas. As ruas estão muito originalmente decoradas e, segundo o que me disse um senhor balinês que se ocupava de uma figura em pedra, estão ainda mais belas quando se dá uma cerimónia. É impossível não ficar maravilhada com tal criatividade e harmonia!



Ao longo do dia, fico cada vez mais impressionada em como Bali consegue ser tão viva e marcante! A mistura de povos, o cheiro a incenso, os templos, as praias, a música, cor, dança, comida, arte, e as pessoas. Pessoas, que apesar de pobres, não deixam a boa disposição e de sorrir com carinho e hospitalidade.



É simplesmente Bali, com a sua mística e rica cultura que guardarei como lembrança dos lindos momentos aqui vividos.



Marisa Ferreira, nº 16

Sem comentários:

Enviar um comentário